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Portal : Deu na Imprensa: para Prefeita, desafio de Cubatão é crescer de forma planejada
em 08/06/2010 21:30:00 (113 leituras)

Marcia Rosa concedeu entrevista ao jornal A Tribuna, publicada na edição do último dia 4/6

A Prefeita Marcia Rosa concedeu longa entrevista ao jornalista Manuel Alves Fernandes, do jornal A Tribuna. Na reportagem, publicada na edição do último dia 4, a Chefe do Executivo trata da relação das indústrias com o município, em especial nas ações envolvendo os princípios da Agenda 21, documento que prevê uma série de ações para desenvolver a cidade até o ano de 2020.

Marcia também comentou as suas expectativas para o Mega Polo 2010, evento promovido pelo Sistema A Tribuna de Comunicação, que está acontecendo nesta terça-feira (8) no Bloco Cultural.

Acompanhe abaixo a entrevista completa.


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Jornal A Tribuna - sexta-feira, 4 de junho de 2010
caderno Indústria - página E-4

Mega Polo busca soluções para Cubatão

Prefeita quer integrar setor público municipal, indústria e sociedade para combater problemas que prejudicam a cidade

 

MANUEL ALVES FERNANDES
DA REDAÇÃO

A prefeita Marcia Rosa considera o Mega Polo - fórum que entra em 2010 na sua quinta edição - "uma idéia muito boa para ajudar a encontrar soluções para os problemas e as dificuldades sociais vividas pela população de Cubatão". Por isso, está na expectativa de que os debates avancem além da discussão dos gargalos que prejudicam atualmente o ritmo da produção industrial. "Nós somos a porta de entrada de grande parcela da riqueza brasileira. A questão da solução dos gargalos logísticos é importante. Não é só a perda de recursos no transportes de matérias-primas e escoamento da produção das nossas indústrias", afirma. Acirculação das pessoas também é afetada por esses problemas. "É impossível que se pense uma cidade que gere riquezas e o coitado do trabalhador ter a comodidade de sair de casa para trabalhar e, no retorno, depois de um dia cansativo de trabalho, ficar horas retido no tráfego por congestionamentos provocados por problemas da estradas".

PACTO
Mas, segundo a prefeita, esse não é o principal problema de Cubatão. "Devemos aproveitar o momento para assumir um novo pacto e consolidar a formação de um tripé integrado pelo governo municipal, indústrias e sociedade que passe a aplicar a Agenda 21 na prática e permita criar realmente uma cidade de Cubatão melhor para se viver, até 2020". Ela deve lançar a idéia, na terça-feira, durante o Mega Polo Cubatão 2010 ­ Fórum para o Desenvolvimento do Polo Industrial de Cubatão. "O governo municipal e a cidade esperam que do Mega Polo saia principalmente uma relação de parceria e compromisso com a população, uma integração da Indústria com a cidade". Esse compromisso passa, de acordo com ela, pelo apoio político à solução dos problemas logísticos que atrapalham o crescimento do polo. E, também, pela aplicação de uma política de pleno emprego e de oportunidade para os moradores de Cubatão, um dos temas das duas mesas-redondasdo fórum: Crescimento sustentável e empregabilidade. "Eu tenho dito que a gente só consegue melhorar a vida das pessoas desta cidade fazendo com que elas sejam incluídas no mercado de trabalho. Com emprego, terão renda para que morar com mais dignidade", diz a prefeita. O pacto deve definir uma aliança com todos os setores representativos do segmento produtivo. "Ainda sentimos que temos a indústria e a cidade separadas pelo Rio Cubatão. Não podemos ter o rio separando a área das indústrias da área urbana, onde moram os cubatenses. Somos duas cidades em uma. Então é preciso que haja um conhecimento maior desta cidade". Os dirigentes industriais "precisam ter um contato mais direto com o nosso povo. E os moradores da cidade precisam conhecer os empresários que trabalham na cidade, saber quem são os grandes gestores da iniciativa privada", comenta Márcia. A prefeita diz que os dirigentes industriais também devem conhecer melhor os moradores da cidadeonde implantar indústrias. "É preciso que ambos se olhem, olho no olho, para que venham conhecer a cara das pessoas que moram em Cubatão. Ver as dificuldades dessas pessoas, saber a vontade que elas têm, a esperança que elas têm de viver e de ser recebidas nas indústrias da sua cidade". Segundo ela, a população não pode continuar vendo a indústria à distância, nem com base em estatísticas. "Os moradores veem as informações nos jornais ou na televisão e olham pela janela das suas casas e constatam que a realidade é bem diferente. Esse é o nosso primeiro desafio, promover essa aproximação de fato entre quem é o gestor público com o gestor das políticas privadas e esta sociedade tão carente que é a de Cubatão", conclui.


ENTREVISTA: "Cubatão gera riquezas, mas deixa a questão social para trás"

MANUEL ALVES FERNANDES
DA REDAÇÃO

Para a prefeita Márcia Rosa, Cubatão é uma cidade que cresceu desorganizadamente no século passado, em função da implantação do polo industrial. E o grande desafio hoje é "fazer com cresça de forma planejada como prevê a Agenda 21". A agenda é um instrumento de definição de metas para chegar a uma cidade ideal para se viver, até 2020. "Mas, a implementação dessas metas, com o apoio de todos os segmentos, é que seria mais importante. E isso não está acontecendo".

Por quê?
Temos apenas mais dez anos para concluir todas as metas da Agenda 21. Na elaboração da agenda, houve grande participação da comunidade. Agora, é preciso que se execute o que se pensou: ter uma cidade planejada , com ampla empregabilidade para que as pessoas possam se enxergar com dignidade na sociedade.

Não houve avanços na aplicação da agenda?
Houve, mas foram colocados princípios centrais na agenda 21: a questão social, ambiental e econômica. A questão ambiental tem um grande passivo que foi superado. Mas os outros desafios que precisam ser enfrentados agora são as questões econômica e social: Cubatão continua gerando riquezas, mas a questão social ficou para trás. E hoje é o grande desafio para a implantação da Agenda 21.

O que espera para enfrentar esse desafio?
Espero principalmente a adesão dos dirigentes das empresas. Agora é o momento de reavaliar políticas, debater problemas e encontrar soluções, buscar rumo, direção, dar sentido à cidade de Cubatão.

Como assim?
Não podemos ser somente um polo gerador de riquezas que apenas passam pela cidade. Pouco fica aqui. Tem sido assim ao longo dos séculos, conforme registra a história do nosso País. Precisamos dar vida às letras escritas na Agenda 21 e para que isso aconteça.

Qual o principal problema?
Temos muitos trabalhadores que nunca conseguiram emprego formal porque a alegação é que não têm escolaridade. Mas se eles entrarem no mercado de trabalho, mesmo tendo baixa escolaridade, e se isso for atrelado a uma cobrança e a um compromisso de que ele deve voltar a estudar, temos a certeza que ele honrará esse compromisso.

É a única alternativa?
Neste momento, sim. É uma questão de confiabilidade, de compromisso. É isso que chamo de parceria. Esse compromisso vai fazer com que o trabalhador possa ter estímulos para voltar a estudar e possa também se capacitar e qualificar cada vez mais nas áreas técnicas mais específicas.

O que propõe?
Proponho a parceria, a discussão conjunta, Temos que compartilhar problemas e, juntos, buscar soluções para também juntos fazer essa nova Cubatão. E não falo somente dos dirigentes industriais.

Quem mais?
É preciso repensar também a forma de executar, por exemplo, a remoção de moradores dos bairros-cota que foram obrigados a morar - e não a invadir como muitos afirmam ­ nessas áreas. São pessoas que foram atraídas no passado para trabalhar na expansão industrial de Cubatão. Estão construindo apartamentos para remover esses moradores. Mas os trabalhadores nessas obras são trazidos de fora, em detrimento dos que moram aqui. E estamos repetindo a história, sem olhar para a lição do passado. Quando a obra terminar, vão ficar em nossa cidade e serão obrigados a morar no mesmo lugar de onde moradores estão sendo hoje retirados.

Quais os reflexos dessa situação?
Até agora, só foram anunciadas obras habitacionais e nenhuma solução urbana para o Jardim Casqueiro, cuja população aumentará muito.

Como se pode avaliar esses efeitos?
Já detectamos, sem fazer nenhuma pesquisa, que o fluxo migratório de Cubatão está crescendo, porque de cada dez famílias que vem procurar vagas nas escolas para seus filhos, oito são famílias de fora. Há um aumento de demanda para educação, para saúde, para todas as políticas públicas. Se nós tivéssemos que fazer um esboço desse quadro, resultante da chegada sem controle de trabalhadores de fora da cidade, isso representa a necessidade de construção de uma escola a mais, só neste ano, para atender essa demanda.

O que pode ser feito?
Encarar essa questão de justiça social com respeito à população. Adotar políticas mais realistas. Têm vezes que Cubatão parece reviver a mitologia de Sisifo, um herói grego condenado depois da morte a levar uma pedra até o alto de uma montanha. Chegando lá, a pedra sempre rola e ele tem que ir buscá-la, repetindo esse trabalho. Vai e volta. São como as políticas que nunca fazem as coisas saírem do lugar, não resolvem nada. As políticas devem ser implementadas com resultados e resultados com saldo positivo.

 

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