Saiu na Imprensa : Oceanos estão sob ameaça alerta Leandra Gonçalves
em 20/06/2009 10:00:00 (219 leituras)

Responsável pela campanha do Greenpeace em favor dos oceanos, Leandra Gonçalves deu um alerta

Coordenadora do Greenpeace destacou que sociedade precisa se conscientizar sobre a importância dos mares e agir

Eles são responsáveis por metade do oxigênio do planeta, mas isso não tem sido suficiente para que recebam a devida atenção. Por esse motivo, um despertador voltou a soar ontem para a plateia do Meeting Vida Marinha: apesar dos alertas cada vez mais constantes, os oceanos continuam ameaçados. O recado partiu da coordenadora da Campanha de Oceanos do Greenpeace, Leandra Gonçalves. No dia que fechou o encontro, promovido pela TV Tribuna no Terminal Marítimo de Passageiros Giusfredo Santini, em Santos, ela mostrou que, mesmo diante do processo acelerado de degradação dos oceanos, a sociedade ainda não despertou para o problema.

Leandra citou um dado perturbador, revelado por pesquisa do Instituto Ipsos, feita a pedido do Greenpeace: de mil entrevistados em sete capitais brasileiras, a poluição dos oceanos ficou em 17º lugar entre os temas considerados mais preocupantes para o futuro do mundo.

Ao queixar-se de falta de apoio da mídia, lembrou aos profissionais e estudantes ligados à área ambiental de sua responsabilidade em ajudar na conscientização da população sobre o problema. "Por isso, iniciativas como esse meeting são salutares", destacou.

À DERIVA

O caminho a percorrer é longo. De acordo com o Greenpeace, apenas 0,4% dos mares brasileiros estão inseridos em áreas de proteção. Todo o restante está exposto à pesca predatória desenfreada e à captura incidental de espécies. Como resultado dessa negligência, 80% dos estoques pesqueiros nacionais estão em vias de entrar em colapso.

Leandra afirmou que, ao contrário do que se costuma apregoar, as leis de proteção ambiental não são obstáculos ao desenvolvimento econômico e apontou a necessidade da criação de mecanismos de manejo adequado dos mares.

"O mar pode, sim, ser fonte de alimento, ser fonte de emprego, desde que isso seja feito sem ultrapassar a capacidade de reposição dos estoques".

Mas como pressionar o Governo se a sociedade não vê os oceanos como prioridade?

Tentando mudar esse quadro, o Greenpeace está com a campanha Entre Nessa Onda, que expõe a situação precária dos oceanos e seus impactos na vida das pessoas. O material pode ser conferido no site da organização, www.greenpeace. org.br.

APAs cobrem 700 Km do Litoral

Num esforço para tentar reverter a situação apontada pelo Greenpeace, os governos Federal e Estadual, junto com representantes da sociedade civil, trabalham pela consolidação de três recém-criadas Áreas de Proteção Ambiental (APAs) marítimas. Juntas, elas cobrem 700 quilômetros de costa do Litoral Paulista.

A situação dessas APAs foi o tema do primeiro painel da tarde de ontem no Meeting, onde o secretário-adjunto de Estado do Meio Ambiente expôs o objetivo dessa ação: regulamentar, fiscalizar e coibir a pesca predatória na região.

 

O mecanismo vem sendo aperfeiçoado através de conselhos gestores que reúnem representantes governamentais e da sociedade, como pescadores.

"É uma experiência nova, que força a negociação entre as duas partes".

A chefe regional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Ingrid Maria Furlan Oberg, bateu na mesma tecla do Greenpeace: a pesca desenfreadaem áreas não protegidas vem ameaçando os estoques dos mares.

"Se existe um crime sendo cometido contra o meio ambiente, todos nós somos culpados". Coordenadora do curso de Oceanografia do Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte), Cíntia Miyaji pediu a participação das instituições de ensino superior da região no processo de elaboração, hoje restrito à Universidade de São Paulo (USP). "Temos inúmeros trabalhos de conclusão de curso que podem ser úteis".

Tubarões reagem à depredação

A falta de cuidado com a preservação do meio ambiente, tanto na parte marinha ou terrestre, é o principal motivo para os ataques de tubarões a banhistas e pescadores no Brasil e no restante do mundo. A influência da atividade dos homens interfere diretamente no ecossistema e, consequentemente, altera a cadeia alimentar.

Esse foi o recado do professor da Universidade Estadual Paulista(Unesp), Otto Bismark F. Gadig, aos participantes da palestra que abriu os trabalhos do segundo dia do Meeting Vida Marinha. Conforme o docente, acidentes com banhistas, pescadores e praticantes de esportes aquáticos sempre houve, mas por razões diferenciadas. "É preciso mudar o comportamento do homem e não do tubarão", ressaltou o especialista, que acompanha há mais de duas décadas as espécies deste ser marinho ao redor do planeta.

Nos últimos anos, as praias de Recife (PE) têm registrado ataques desse animal a humanos. Segundo Gadig, só a partir desses casos é que o Brasil passou a se preocupar com essa questão. O professor destacou que essas ocorrências ocorreram, devido à construção do Porto de Suape, que interferiu no ecossistema.

"O impacto ambiental afeta a vida deles de tal forma que eles saem do seu habitat natural a procura de comida podendo chegar a praias habitadas".

O docente da Unesp explicou ainda que a urbanização da Praia de Boa Viagem, em Recife, é outro motivo para esse tipo de acidente.

"Se há mais pessoas frequentando as praias, há mais movimento nas águas. E como eles (tubarões) querem se alimentar, é lá que eles irão buscar".

Gadig informou que os berçários de tubarões, que ficavam em regiões próximas aos manguezais, foram destruídos. Isso gerou uma peregrinação desses animais, que passaram a ocupar outras localidades do litoral de Pernambuco.

Ozires cita regras necessárias para progresso

Com a experiência de ter presidido empresas importantes do cenário nacional, como Embraer, Varig e Petrobras, o reitor do Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte), Ozires Silva, afirmou que a realidade mundial impõe quatro bases para o progresso e crescimento das nações: mobilidade, comunicação, informação e eficiência.

O segundo palestrante de ontem abordou o tema Educação ­ Um grande fator de transformação. Na visão dele, o mundo deve passar por um processo de reeducação e de conscientização para buscar e preservar o equilíbrio do planeta.

"A capacidade predadora do homem é imensa. Se não nos cuidarmos, podemos ser capazes de destruirmos até mesmo a casa que nos abriga", ressalta.

Ao comparar as ações nacionais com a de outros países que investiram em campanhas que deram certo, Ozires disse que "o Brasil não pode perder a corrida da educação". Conforme o reitor do Unimonte, que também foi Ministro de Infraestrutura, a China lançou uma das mais extraordinárias expansões em educação no mundo moderno.

Durante a explanação, Ozires ainda apresentou dois cases de sucesso: Coreia do Sul e Estados Unidos. Por exemplo, no país americano, foi realizada uma campanha publicitária em todas as revistas que iniciava o texto com a seguinte frase: "As crianças são os engenheiros e os cientistas de amanhã, mas elas precisamdenossa ajuda".

Programa Antártico é modelo de pesquisa


Finalizando o Meeting, o capitão de mar e guerra José Robson Medeiros mostrou um pouco da história do Programa Antártico Brasileiro, do qual é subsecretário. A iniciativa, que há 27 anos estuda aquela região com fins pacíficos, é considerada pela Marinha como modelo de pesquisa e preservação dos recursos naturais. "A Antártica é um exemplo de uso racional do Meio Ambiente e pode servir deexemploparanós",disse. A palestra também contou com o secretário da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar, contra-almirante Francisco Carlos Ortiz.


JOVENS

Para o diretor-presidente da TV Tribuna, Roberto Clemente Santini, o Meeting Vida Marinha vai consolidando Santos como um dos principais focos de debate sobre o tema no País. Ele chamou a atenção para a forte participação do público jovem.

"É importante que se desperte neles essa consciência de preservação, porque serão profissionais melhores no futuro".

Um dos principais alvos das APAs é a chamada pesca de parelha, realizada por duas embarcações utilizando a rede de arrasto. Coordenador da APA Litoral-Centro, Marcos Campolim revelou que o grupo está tentando trazer a Marinha para ajudar na repressão a essa atividade. "Hoje, só a Polícia Ambiental faz esse trabalho", disse.


Mariana Porto 19 ANOS

Do encontro, a estudante de Biologia Marinha destacou o contato com Lawrence Wahba, com quem compartilha o fascínio pelos tubarões, e a palestra de Leandra Gonçalves. "O Greenpeace vai direto ao problema, coisa que outras pessoas, às vezes pelo cargo que ocupam, não podem fazer".


Roberto Santini: consciência


Ingrid Oberg: ``todos culpados''

"A capacidade predadora do homem é imensa. Se não nos cuidarmos, podemos ser capazes de destruirmos até mesmo a casa que nos abriga"

Ozires Silva, reitor do Unimonte

"Ainda olha-se o mar com a sensação de que ele é uma fonte inesgotável de comida. Mas, hoje, só 10% dos oceanos são produtivos em termos de pesca. O homem vem tirando recursos do mar sem dar tempo para ele se recompor".

Leandra Gonçalves, coordenadora da campanha de Oceanos do Greenpeace

O predador

Alerta Na mira

O pesquisador Otto Bismark Gadig fez palestra sobre os tubarões Ozires Silva diz que o mundo deve passar por processo de reeducação

FERNANDA LUZ JOSÉ LUIZ BORGES/ESPECIAL PARA A TRIBUNA DAVI RIBEIRO

DA REDAÇÃO de A Tribuna - por:LUIZ FERNANDO YAMASHIRO e SANDRO THADEU

MAIS INFORMAÇÕES NAS PÁGINAS A-4 E C-6 de A Tribuna de 20 de Junho de 2009

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Enviado por Tópico
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Publicado: 20/06/2009 19:27  Atualizado: 20/06/2009 19:27
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