"Não podemos continuar transformando a pesca em uma carnificina"
O senador Aloizio Mercadante (PT/SP) afirma que a preservação da vida marinha deve receber uma atenção especial do poder público em todo o País.
Diante disso, o parlamentar se comprometeu em realizar, no Congresso Nacional, um evento semelhante ao Meeting Vida Marinha, promovido pela TV Tribuna no Terminal Marítimo de Passageiros Giusfredo Santini. O objetivo é criar uma agenda nacional e um fórum permanente de discussão para garantir a sustentabilidade, que pode ser exemplo para todo o mundo. Porém, admite que há desafios a serem superados, como a pesca predatória e tratamento de esgoto.
Confira trechos da entrevista concedida pelo senador com exclusividade para A Tribuna.
Na abertura do Meeting Vida Marinha, o sr. disse que a humanidade ainda não tem consciência da crise ambiental, em especial do mar. Qual o principal desafio para que autoridades e empresas assumam essa responsabilidade?
Uma questão ligada diretamente que traz grandes impactos sobre a vida marinha é a coleta e o tratamento de esgoto. Essa é uma agenda que não pode ser mais protelada. Devemos ampliar o tratamento e aumentar as parcerias com Governo Federal, BNDES, Banco Mundial, prefeituras e estados. Mais da metade dos domicílios do Brasil não possui tratamento de esgoto.
Essa é uma prioridade, porque as fontes produtoras de água do Estado estão se deteriorando rapidamente.
Existe outro ponto prioritário nessa agenda?
A pesca também exige uma atenção especial. No passado, se pescava de rede, de anzol, de uma maneira artesanal, mas a pegada ecológica era muito pequena. Hoje, são utilizados radares, imagens de satélites e barcos industriais.
Estamos tirando, mas não repondo. A pesca não pode ser mais atividade extrativa. Não podemos continuar transformando a pesca em carnificina.
Como o Governo Federal pode regular a pesca no Brasil?
Há espécies, como a sardinha, que estão à beira do colapso.
O que será feito para evitar esse tipo de situação e auxiliar trabalhadores que dependem dos peixes para sobreviver?
Um marco regulatório mais eficiente, mais bem definido. No Brasil, já existe o respeito à sazonalidade das espécies. O Governo Federal criou uma bolsa para os pescadores cadastrados terem uma renda e ao mesmo tempo combater a pesca predatória.
Há a intensificação da fiscalização da Marinha sobre a nossa plataforma marinha de barcos que se apropriam da pesca. Isso tudo ajudará, mas é importante que a gente passe a fomentar a aquicultura marinha para poder abastecer o mercado de forma organizada.
Qual o papel das autoridades para mudar o quadro atual?
A pauta da vida marinha não pode ser mais uma agenda regional, mas sim nacional e internacional. Do ponto de vista nacional, temos a Agência Nacional de Águas, os ministérios da Pesca e do Meio Ambiente, a Marinha e o Ibama que são órgãos diretamente envolvidos nessa agenda.
Minha ideia é fazer um evento nacional, no Congresso Nacional, reunindo esses atores e repercutindo a experiência do Meeting Vida Marinha, que nasceu na Baixada Santista por meio da iniciativa do grupo A Tribuna, que também será convidado a participar. Precisamos criar um fórum nacional de discussão dessa agenda estrutural.
Precisamos construir uma política nacional muito mais forte, criar uma consciência maior sobre essa questão da vida e da sustentabilidade no mar.
O sr. acredita que a construção dessa agenda nacional a partir do Meeting possa ser um exemplo do Brasil para o mundo a ser apresentado na conferência mundial da Organização das Nações Unidas (ONU) para discutir questões ambientais, que acontece este ano, em Copenhague, na Dinamarca?
Acredito que sim. Temos um litoral muito extenso e muito importante para a nossa cultura. A grande concentração demográfica do País está no litoral. Temos praias belíssimas e o brasileiro tem um apreço grande pelo mar. Nosso País se destaca nos esportes aquáticos. Precisamos valorizar a nossa agenda para as gerações futuras usufruírem como nós.
Além da fiscalização e dos investimentos, como cada cidadão brasileiro pode prestar mais atenção nessa grande Amazônia Azul?
Vejo que o Meeting Vida Marinha é um grito de alerta, que precisamos fazer ecoar nacional e internacionalmente com muita força. Para começar, devemos envolver a juventude e os estudantes, como foi feito no evento. Precisamos também envolver os alunos dos ensinos Fundamental e Médio. Vamos construir um grande movimento em defesa da vida marinha.
Senador Aloizio Mercadante.
DA REDAÇÃO de A Tribuna - por: SANDRO THADEU