Política : Mercadante afirma: "Preservação da vida marinha deve receber uma atenção especial"
em 20/06/2009 12:00:00 (224 leituras)

Senador Aloizio Mercadante no Meeting Vida Marinha"Não podemos continuar transformando a pesca em uma carnificina"

O  senador Aloizio Mercadante (PT/SP) afirma que a preservação da vida marinha deve receber uma atenção especial do poder público em todo o País.

Diante disso, o parlamentar se comprometeu em realizar, no Congresso Nacional, um evento semelhante ao Meeting Vida Marinha, promovido pela TV Tribuna no Terminal Marítimo de Passageiros Giusfredo Santini. O objetivo é criar uma agenda nacional e um fórum permanente de discussão para garantir a sustentabilidade, que pode ser exemplo para todo o mundo. Porém, admite que há desafios a serem superados, como a pesca predatória e tratamento de esgoto.

Confira trechos da entrevista concedida pelo senador com exclusividade para A Tribuna.

 

Na abertura do Meeting Vida Marinha, o sr. disse que a humanidade ainda não tem consciência da crise ambiental, em especial do mar. Qual o principal desafio para que autoridades e empresas assumam essa responsabilidade?

Uma questão ligada diretamente que traz grandes impactos sobre a vida marinha é a coleta e o tratamento de esgoto. Essa é uma agenda que não pode ser mais protelada. Devemos ampliar o tratamento e aumentar as parcerias com Governo Federal, BNDES, Banco Mundial, prefeituras e estados. Mais da metade dos domicílios do Brasil não possui tratamento de esgoto.

Essa é uma prioridade, porque as fontes produtoras de água do Estado estão se deteriorando rapidamente.

Existe outro ponto prioritário nessa agenda?

A pesca também exige uma atenção especial. No passado, se pescava de rede, de anzol, de uma maneira artesanal, mas a pegada ecológica era muito pequena. Hoje, são utilizados radares, imagens de satélites e barcos industriais.

Estamos tirando, mas não repondo. A pesca não pode ser mais atividade extrativa. Não podemos continuar transformando a pesca em carnificina.

Como o Governo Federal pode regular a pesca no Brasil?

Há espécies, como a sardinha, que estão à beira do colapso.

O que será feito para evitar esse tipo de situação e auxiliar trabalhadores que dependem dos peixes para sobreviver?

Um marco regulatório mais eficiente, mais bem definido. No Brasil, já existe o respeito à sazonalidade das espécies. O Governo Federal criou uma bolsa para os pescadores cadastrados terem uma renda e ao mesmo tempo combater a pesca predatória.

Há a intensificação da fiscalização da Marinha sobre a nossa plataforma marinha de barcos que se apropriam da pesca. Isso tudo ajudará, mas é importante que a gente passe a fomentar a aquicultura marinha para poder abastecer o mercado de forma organizada.

Qual o papel das autoridades para mudar o quadro atual?

A pauta da vida marinha não pode ser mais uma agenda regional, mas sim nacional e internacional. Do ponto de vista nacional, temos a Agência Nacional de Águas, os ministérios da Pesca e do Meio Ambiente, a Marinha e o Ibama que são órgãos diretamente envolvidos nessa agenda.

Minha ideia é fazer um evento nacional, no Congresso Nacional, reunindo esses atores e repercutindo a experiência do Meeting Vida Marinha, que nasceu na Baixada Santista por meio da iniciativa do grupo A Tribuna, que também será convidado a participar. Precisamos criar um fórum nacional de discussão dessa agenda estrutural.

Precisamos construir uma política nacional muito mais forte, criar uma consciência maior sobre essa questão da vida e da sustentabilidade no mar.

O sr. acredita que a construção dessa agenda nacional a partir do Meeting possa ser um exemplo do Brasil para o mundo a ser apresentado na conferência mundial da Organização das Nações Unidas (ONU) para discutir questões ambientais, que acontece este ano, em Copenhague, na Dinamarca?

Acredito que sim. Temos um litoral muito extenso e muito importante para a nossa cultura. A grande concentração demográfica do País está no litoral. Temos praias belíssimas e o brasileiro tem um apreço grande pelo mar. Nosso País se destaca nos esportes aquáticos. Precisamos valorizar a nossa agenda para as gerações futuras usufruírem como nós.

Além da fiscalização e dos investimentos, como cada cidadão brasileiro pode prestar mais atenção nessa grande Amazônia Azul?

Vejo que o Meeting Vida Marinha é um grito de alerta, que precisamos fazer ecoar nacional e internacionalmente com muita força. Para começar, devemos envolver a juventude e os estudantes, como foi feito no evento. Precisamos também envolver os alunos dos ensinos Fundamental e Médio. Vamos construir um grande movimento em defesa da vida marinha.


Senador Aloizio Mercadante.

DA REDAÇÃO de A Tribuna - por: SANDRO THADEU

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Publicado: 21/06/2009 16:25  Atualizado: 21/06/2009 16:25
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 Re: Mercadante alerta para falta de políticas públicas específicas

Em seminário sobre vida marinha, Mercadante alerta para falta de políticas públicas específicas

 

Em seminário sobre o desenvolvimento e preservação dos mares, realizado hoje, dia 18, em Santos, o senador Aloizio Mercadante alertou para a maior crise ambiental que o planeta atravessa. Na avaliação de Mercadante “há uma consciência crescente sobre parte da questão ambiental, como é o caso da Amazônia, que hoje já é um tema de grande interesse e debate, mas quando se fala em áreas como a vida marinha o Brasil ainda está muito atrás de outros países, pois faltam informações e ações de preservação. “Quando falamos de vida marinha, a ausência de propostas e de políticas públicas é muito mais grave. Que resposta estamos dando para essa imensa Amazônia azul, que são os nossos mares? “, questionou.


Segundo Mercadante, vivemos um grande desafio que é o impacto que o aquecimento global tem sobre o mar. “As correntes marítimas são grandes instrumentos de equilíbrio ecológico do planeta e podem se transformar em grande ponto de instabilidade e desequilíbrio. Por isso, temos a responsabilidade de reduzirmos a emissão de carbono”, alertou.      


Mercadante ressaltou outra questão que tem forte impacto na vida marinha e que por isso deve ser tratada como prioridade, que é o tratamento do esgoto. “Não podemos fazer com a nossa Costa o que já fizemos com o Tietê e o Pinheiros - os principais rios que atravessam os grandes centros urbanos. Não podemos continuar jogando nos mares os detritos e os dejetos, com a velocidade e o volume que estamos fazendo”, destacou.


Outro desafio apontado pelo senador como fundamental para a preservação dos mares é em relação à atividade pesqueira.  Ele lembrou que, quando seus bisavós chegaram à cidade de Santos, a pesca era artesanal, feita com a utilização de linha e rede. E comentou que, atualmente, a realidade é outra: “Hoje, a pesca é feita com radar, com equipamentos cada vez mais sofisticados. Estamos assistindo a um massacre, a uma carnificina no mar”, disparou.


O senador disse ainda que, devido ao modo como está sendo realizada a pesca hoje, espécies estão desaparecendo e está ocorrendo um grave  desequilibrando nos mares. Para uma platéia formada principalmente por jovens e estudantes, reforçou a responsabilidade dessa geração para com o planeta. ”Quem está estudando biologia, oceanografia tem desenvolver cultura marítima. Temos que produzir, de forma científica, como outros países estão fazendo, gerando emprego, divisas e não agredir, como se a produção de pesca fosse uma coisa ilimitada. Não é”, alertou.

Fonte: http://mercadante.com.br/noticias/u ... specificas

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