Sobretaxa do aço importado é arma para salvar empregos
A sugestão da prefeita de Cubatão, Marcia Rosa, será analisada pelo Governo Federal na próxima terça-feira

"Quanto mais reserva se tem num período de crise, mais forte e segura é a economia"
Técnicos do Comitê Executivo de Gestão (Gecex) do Ministério da Fazenda analisam terçafeira os pedidos de imposição de sobretaxas tributárias ao aço importado, para proteger oito produtos nacionais, incluindo bobinas, chapas grossas e vergalhões, na forma de alíquotasdiferenciadas paracada produto. O anúncio foi feito ontem pelo ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, no encontro com a prefeita Marcia Rosa (PT) que foi a Brasília defender uma política de proteção aos empregos gerados pela siderurgia nacional. Em troca desse esforço, espera manter o compromisso com a Usiminas de suspender a demissão de funcionários da empresa em Cubatão e Ipatinga, por causa da queda de vendas do aço brasileiro. A Usiminas reduziu a proteção em 40%, porque não consegue competir com aço importado com tarifas zero. A prefeita está na expectativa de que a decisão seja aprovada por unanimidade pelo Gecex diante da receptividade da proposta por parte de Miguel Jorge, da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e Carlos Lupi, do Trabalho e Emprego. Se não houver unanimidade a decisão será transferida para 19 de junho, quando se reúne a Câmara de Comércio Exterior, presidida por Miguel Jorge e composta pelos ministros da Fazenda, Casa Civil, Agricultura, Reforma Agrária, Planejamento e Relações Exteriores.
AVALIAR DEMISSÕES
400 demissões já foram efetivadas pela Usiminas em Cubatão.
1.300 cortes é a meta da usina para se adequar à demanda atual de aço.
Nos contatos em Brasília, a prefeita esteve acompanhada pelo secretário municipal de Indústria, Comércio, Porto e Desenvolvimento, Benito Santiago Martinez Gonzalez. Foi recebida pela Dilma Rousseff , que na ocasião apresentava o 7º Balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e pelos ministros Miguel Jorge e Carlos Lupi. O ministro do Trabalho e Emprego considera fundamental a atuação da prefeita na defesa da manutenção dos empregos no setor siderúrgico. Marcia Rosa anunciou que pretende renovar contatos com a direção da Usiminas, para que a empresa aguarde a definição do Governo Federal, evitando promover novas demissões e avaliando também a readmissão dos metalúrgicos que perderam seus empregos na usina de Cubatão. Nos documentos que entregou aos ministros, a avaliação da prefeita assinala que o aço é o produto principal da siderúrgica da Usiminas (antiga Cosipa), situada em Cubatão.

AÇO IMPORTADO
Mas, como sofre com a impor- tação desse mesmo produto principalmente pela indústria automobilística com preços fortemente subsidiados na origem (Rússia, Ucrânia, China) torna inviável a competição da indústria nacional. Em decorrência dessa crise, a Usiminas, uma das principais empregadoras no Município, já procedeu à demissão de aproximadamente 400 trabalhadores, e informa que sua meta é chegar a 1.300 dispensas. "Buscando soluções para ao menos reduzir os efeitos da crise, promovemos reunião no dia 29 de maio com dirigentes da Usiminas e lideranças políticas representativas da Região Metropolitana da Baixada Santista. Na oportunidade, solicitamos que a empresa suspendesse as demissões até que houvesse uma sinalização do Governo Federal quanto a uma alíquota de proteção do aço brasileiro face à concorrência com o aço produzido no exterior, que sabidamente recebe forte subsídio dos governos dos países produtores. De fato, a empresa suspendeu as novas demissões previstas, embora ainda não tenha revisto as já efetuadas".
DA REDAÇÃO de A Tribuna - por: MANUEL ALVES FERNANDES
Sindical - Reunião de 4 horas entre Usiminas e Sindicato dos Metalúrgicos
Depois de quatro horas de reunião ontem pela manhã, Usiminas e Sindicato dos Metalúrgicos mais uma vez não chegaram a acordo sobre as demissões de trabalhadores. Agora, a decisão cabe ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT), onde ocorre amanhã, às 13h30, na Capital, nova audiência. O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Florêncio Rezende de Sá, o Sassá, estava irritado com o último capítulo desta negociação. E se disse cansado de explicar o problema para os empresários sem obter qualquer resposta favorável por parte da Usiminas. "Por horas ouvimos as mesmas justificativas de que eles não têm como reconsiderar as demissões. Estou cansado e espero que o TRT possa nos auxiliar. Para o encontro de sexta (amanhã), a expectativa é boa". A Usiminas disse estar aberta "ao diálogo e seu compromisso com a minimização do impacto social do ajuste no seu quadro de empregados" e que avalia, "a pedido do Sindicato dos Metalúrgicos da Baixada Santista, a situação de alguns empregados desligados da Usina de Cubatão que se encontram próximo da aposentadoria", consta na nota oficial. A nota se refere à lista apresentada pelos sindicalistas na reunião de ontem. Nela, constam os nomes de 61 ex-cosipanos que pretendem voltar ao trabalho.
DA REDAÇÃO de A Tribuna - por BRUNO RIOS
GREVE
A greve dos operários das empreiteiras da construção civil que prestam serviço dentro da área da Usiminas, em Cubatão, permanece. A paralisação, iniciada dia 27 de maio, completa hoje oito dias. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintracomos), Geraldino Cruz Nascimento, disse que hoje as coisas podem mudar, pois às 15h30 as empreiteiras devem apresentar nova proposta. Os trabalhadores querem reajuste de 8% nos salários. A justificativa do sindicalista é de que o índice é o mesmo proposto por todas as empreiteiras do Polo de Cubatão.
Leia também: Marcia Rosa debate com ministros o problema do aço e dos empregos em Cubatão
Assuntos Relacionados: